O tempo afetivo dos avós
O nascimento dos netos inaugura uma forma inédita de cuidar. Não é repetição da maternagem vivida antes, nem tentativa de corrigir o que ficou para trás. É outro tempo e lugar: mais largo, mais paciente, atravessado pela experiência e por horas que já não correm com tanta pressa. Com os netos, aprendemos que o cuidado também pode ser feito de presença tranquila.
Esse novo papel pede atenção e delicadeza. Cuidar sem atropelar os filhos na tarefa de educar é um exercício constante de respeito e escuta. Os avós não substituem, não competem, não corrigem, eles sustentam e nutrem. Oferecem apoio, acolhimento e um espaço seguro onde a criança pode experimentar o mundo sabendo que há braços disponíveis e confiança no caminho que os pais estão construindo.
Há algo específico no cuidado dos avós: a liberdade de amar sem a carga total da responsabilidade. É o tempo da história contada sem pressa, do olhar atento, da escuta curiosa, da transmissão de valores, memórias e pertencimento. Um cuidado que não exige desempenho, mas oferece disponibilidade e intensidade.
A psicologia já reconhece o quanto a relação com avós é fundamental para a saúde emocional das crianças. Ela fortalece a segurança dos vínculos, amplia referências afetivas e constrói uma base segura para o desenvolvimento. Para os avós, esse encontro também é transformador: um convite a permanecer em relação, aprendendo e se reinventando junto com quem ainda está começando. É tempo de brincar. Aproveite.